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REPRODUÇÃO
A maior parte das pessoas que dirige carro e fala ao telefone não tem
idéia de como funciona um motor ou um sistema de telecomunicação. É
claro que não é absolutamente necessário conhecer o funcionamento de
algo para poder utilizá-lo. Mas quando fazemos a utilização de alguma
coisa que também sabemos como funciona, ficamos mais seguros. E se
ocorrer algum problema, podemos buscar uma solução, sem ficarmos
perdidos.
Isto é verdade tanto para as nossas relações com as coisas como também
com as pessoas. Assim, podemos utilizar métodos anticoncepcionais para
planejar o número de filhos que gostaríamos de ter, para estabelecer
uma distância entre cada nascimento ou, ainda, escolher a melhor época
para procriar. E podemos fazer este planejamento sem ter a mínima idéia
de como ocorre, em detalhe, o mecanismo da reprodução humana. Mas se
entendermos como ele funciona, isto poderá ser útil.
O homem é o único animal que tem consciência de que sua vida é
limitada no tempo. Sabemos que nascemos, crescemos e que vamos morrer um
dia. Sabemos, também, que podemos dar continuidade às nossas vidas
através de nossos filhos.
Toda sociedade depende da capacidade de reprodução de seus membros;
caso contrário, desapareceria. No passado, muitos países incentivaram
os casais a ter filhos, porque isto representava aumento de seu poder
político, porque suas indústrias precisavam de mais trabalhadores e
seus exércitos, de soldados para lutar ou conquistar outros países. Em
muitos lugares, o crescimento da população ocorreu de modo
descontrolado, causando problemas sociais e sobrecarga para as pessoas,
que suportavam, com poucos recursos, a tarefa de alimentar e educar uma
família numerosa. Hoje, a maioria dos governos tem políticas de
incentivo ao planejamento familiar.
Mas o planejamento familiar não é um assunto apenas de governo ou da
sociedade. É, antes de tudo, matéria de interesse de todos: pessoas,
casais, famílias. Considerando-se que a reprodução envolve
profundamente a nossa vida e sentimentos, é interessante que cada
tenham maior conhecimento sobre como ela acontece, para que possa viver
melhor e planejar mais conscientemente o seu futuro.
Reprodução
humana, fertilidade e fecundação
A reprodução relaciona-se à capacidade que certos seres têm de se
multiplicar. Nos humanos, o processo reprodutivo é um processo natural,
de caráter sexual, e envolve tanto o homem quanto a mulher. Mas para
que de fato possam reproduzir-se, isto é, para que
tenham filhos, é preciso que ambos sejam férteis.
Os testículos masculinos - externos ao corpo do homem, pois ficam
dentro do saco - produzem pequenas células, chamadas de espermatozóides,
que não conseguimos ver a olho nu e que são responsáveis pela
fertilidade masculina. Eles são células muito móveis, produzidas
continuamente e em grande número pelos testículos e, uma vez
misturadas com um líquido branco e viscoso chamado esperma, ficam
armazenados numa bolsa ou saco escrotal. Durante o ato sexual, na hora
do gozo, os espermatozóides, misturados ao esperma, são ejaculados,
isto é, lançados para fora do corpo do homem, dentro do corpo da
mulher.
Existem, contudo, homens que não são férteis. Isto não implica que
tenham qualquer problema de potência sexual ou de masculinidade. Nada
disso, eles podem manter relações sexuais normalmente. Apenas, por
produzirem baixa quantidade de espermatozóides, não podem gerar
filhos.
A mulher, por sua vez, dispõe de dois ovários que produzem óvulos –
localizados, cada um, ao lado do útero. A vida sexual, assim como a
reprodução humana, é regulada pelo comando da hipófise (uma glândula
cerebral ) e pela ação dos hormônios produzidos no homem e na mulher
. O homem fértil pode gerar filhos a qualquer tempo, pois seus testículos
produzem espermatozóides continuamente; já a mulher é fértil em
apenas um período por mês, pois seus ovários liberam o óvulo de 28
em 28 dias, aproximadamente. Diferentemente do homem, sua fertilidade
dura apenas 24 horas, que é o tempo de vida do óvulo maduro, após ter
sido liberado pelo ovário. No momento do gozo, o homem libera o esperma
com espermatozóides. Na mulher, a eliminação do óvulo não é
percebida ou sentida, e o fato de ela ter prazer durante o ato sexual
nada tem a ver com sua possibilidade de engravidar.
Algumas mulheres também podem não ser férteis, ou seja, não ter a
capacidade de engravidar. Isto não tem nenhuma relação com a
feminilidade nem com a capacidade de a mulher ter prazer sexual. Várias
razões podem explicar a infertilidade feminina e uma investigação médica
poderá esclarecer porque determinada mulher não consegue engravidar.
Atualmente, existem muitas formas de tratamento para corrigir certos
tipos de infertilidade. Mas como a gravidez depende tanto do homem como
da mulher, o importante é que o casal com dificuldade para gerar um
filho procure um serviço de saúde para descobrir porque isso está
acontecendo. Alguns casais angustiam-se achando que não podem ter
filhos apenas porque isto não aconteceu nos primeiros meses de
tentativa. Um casal com vida sexual ativa, que não utilize nenhum método
para evitar filhos e mesmo assim não consiga obter uma gravidez, só
precisará procurar um serviço de saúde após decorrido um período de
dois anos. Não é demais lembrar que, em caso de impossibilidade de
engravidar pelos métodos naturais, os casais dispõem hoje de várias
alternativas para tornarem-se pais, entre as quais citam-se a adoção e
as técnicas de fertilização em laboratório.
Mas voltemos ao caso de um casal fértil. Para que eles se reproduzam,
isto é, para que sejam capazes de produzir um novo ser, terão que ter
uma relação sexual com penetração vaginal. No momento em que o homem
atingir seu prazer, ele ejaculará. Porém, como a mulher nem sempre está
em período fértil, a gravidez pode não acontecer, já que ela entra
em fase fértil somente a cada 28 dias, no intervalo entre duas menstruações.
Geralmente, os ovários liberam apenas um óvulo por vez – o qual é
captado, "abocanhado", por um conduto chamado Trompa de Falópio
- comumente chamado "trompas". No caso da gravidez múltipla,
a fecundação poderá ocorrer por meio da liberação de um, dois ou
mais óvulos. No momento da relação sexual, milhares de espermatozóides
entram no corpo da mulher, pela vagina, e rodeiam o óvulo, caso a
mulher esteja em momento fértil. No entanto, apenas um desses
espermatozóides conseguirá penetrar o óvulo, fecundando-o.
A fecundação é justamente
este encontro do óvulo, produzido pela mulher, com um espermatozóide,
produzido pelo homem. Quando ela ocorre, o óvulo fecundado inicia uma série
de transformações e passa a chamar-se ovo. Com pouco mais de um dia de
existência, começa a crescer, dando origem a novas células, que irão
implantar-se no útero da mulher. Lá, o ovo cresce e se desenvolve,
transformando-se em embrião. Do terceiro mês de gravidez em diante,
assume as formas humanas, que se tornam cada vez mais definidas.
Finalmente, entre a 37a e 40a semana de gravidez,
isto é, cerca de 9 meses após a fecundação, o feto já está
totalmente desenvolvido e pronto para nascer - pesando aproximadamente
três quilos.
Caso a mulher utilize algum método contraceptivo, não esteja em período
fértil e o homem faça uso da camisinha ou tenha feito a vasectomia -
uma operação que o torna estéril -, não haverá possibilidade de a
fecundação acontecer. Neste caso, a preparação do útero para
receber o ovo começa a se desfazer e 14 ou 16 dias após a ovulação,
ou liberação do óvulo, ocorrerá a menstruação.
Tanto a gravidez como a menstruação são acontecimentos que mexem
muito com o corpo e os sentimentos da mulher. Muitas delas ficam
irritadas, nervosas e deprimidas alguns dias antes da menstruação. É
a chamada tensão pré-menstrual - a TPM. E não só neste período
ocorrem modificações no humor e emoções da mulher. Essas alterações
também ocorrem durante a gestação. O fato de gerar, alimentar e
trazer dentro de si um novo ser causa várias mudanças, tanto no corpo
quanto no estado de ânimo e disposição da mulher. Portanto, é necessário
que ela seja acolhida e ajudada neste processo, sobretudo pelo marido ou
companheiro - o principal parceiro da mulher na gestação, já que foi
necessária a sua participação para que ela engravidasse.
Conhecer
para planejar
Atualmente, com o avanço da ciência e dos conhecimentos científicos,
as informações sobre esse tema, tão importante, estão amplamente
disponíveis e devem ser disseminadas à sociedade. Os métodos
anticoncepcionais são o resultado da compreensão dos mecanismos da
reprodução humana e das formas de intervenção sobre ela. Com eles,
é possível limitar o número de filhos ou planejar uma família maior
.O direito e a possibilidade de escolher o número de filhos e
estabelecer um intervalo entre as gestações permite proteger a saúde
da mulher e proporcionar melhores condições para se criar os filhos.
A partir do conhecimento do processo reprodutivo foi possível
interferir em seus diferentes momentos, seja atuando sobre o óvulo,
seja sobre os espermatozóides, sobre sua união com o óvulo ou sobre a
fixação do óvulo nas paredes do útero. Vejamos alguns exemplos:
Ao tomar pílulas anticoncepcionais, a mulher estará impedindo a produção
e liberação do óvulo, evitando, deste modo, a gravidez.. O homem, ao
usar a camisinha ou tiver feito uma vasectomia, estará impedindo a
entrada dos espermatozóides dentro da mulher, junto com o esperma, o
que impossibilita a gravidez. Na mulher, a operação de ligação das
trompas também impede a gravidez, pois o óvulo não conseguirá
encontrar-se com os espermatozóides. Se a mulher faz uso de um
diafragma ou camisinha feminina, isto também evitará que os espermatozóides
penetrem além da vagina. Ao colocar um DIU, isto impedirá que o ovo se
fixe à parede do útero; assim, também, não há possibilidade de
desenvolvimento da gravidez.
Na mulher, à duração do período de fertilidade perdura desde a
adolescência – a partir dos 13 ou 14 anos, quando menstrua pela
primeira vez - até por volta dos 45 anos, quando entra na menopausa.
Mas, do ponto de vista biológico, o melhor período para que tenha
filhos situa-se entre os 18 e 35 anos de idade. Antes dos 18 e depois
dos 35 anos aumentam as possibilidades de ocorrências que dificultam ou
complicam a gestação. Antes, a mulher pode não estar ainda com seu
organismo plenamente formado e desenvolvido. Depois dos 35 anos, crescem
as chances de ocorrer má-formação do feto.
Outro risco tanto para a gestação como para o parto é a gravidez
sucessiva. O espaçamento mínimo entre uma gravidez e outra deve ser de
cerca de 2 anos, o que permitirá o melhor desenvolvimento do recém-nascido
e do próximo filho e uma completa recuperação da mulher, evitando o
enfraquecimento de seu organismo.
Durante a gestação, é necessário que a mulher seja convenientemente
acompanhada, para que tudo transcorra da melhor maneira possível, tanto
para ela como para o bebê. Por isso, desde o momento em que suspeite
estar grávida, é importante que a mulher procure um serviço de saúde
e inscreva-se no pré-natal.
Qual
o melhor anticoncepcional?
Através da reprodução, as espécies são capazes de manter-se vivas.
Hoje, os mecanismos da reprodução humana estão bem estabelecidos pela
ciência e propiciam não só o controle da natalidade e a correção de
várias formas de infertilidade - masculina ou feminina - como também
permitem até a fecundação ou fertilização em laboratório: o
chamado "bebê de proveta".
Atualmente, sabemos como os anticoncepcionais atuam e porque funcionam.
Daí a sua grande variabilidade: camisinha masculina e feminina, DIU, pílulas,
diafragma, vasectomia, ligadura das trompas. Por meios diferentes, obtêm
o mesmo objetivo: evitar uma gravidez indesejada.
Suficientemente informado e escolhendo bem o anticoncepcional de sua
preferência, o casal pode controlar o processo de reprodução e só
ter filhos no momento em que desejar – o que dependerá de cada um e
de suas situações concretas de vida, como condição econômica,
afetiva, de saúde e familiar. Escolhido o melhor momento, será possível
concretizar o desejo tanto do homem como da mulher em ter filhos.
Reproduzir em condições saudáveis e seguras é um direito de cada um.
Viva legal!
ATIVIDADES SUGERIDAS I
– Antes da sessão do vídeo – Primeira
fase: ·
O
coordenador dos trabalhos (professor, educador ou agente de saúde) reúne
os participantes e lhes pede para que falem sobre o tema Reprodução.
·
Convida-os
a descrever como ocorre o processo de reprodução, com suas próprias
palavras. ·
Solicita
a cada um dos presentes que levante pelo menos uma dúvida sobre o
assunto.
As principais dúvidas podem ser anotadas no quadro, para serem
retomadas após a sessão do vídeo.
II
– Após a sessão do vídeo – Segunda
fase: ·
Depois
de assistirem ao programa de vídeo, o coordenador retoma a discussão
anterior e pede aos presentes que o
comentem as idéias antes apresentadas, corrigindo-as e
complementando-as se for preciso. o
procurem esclarecer as dúvidas levantadas, considerando o
exposto no vídeo.
Terceira
fase: ·
O
coordenador solicita a uma mulher - que esteja usando calça comprida
– que deite no chão, com as pernas ligeiramente abertas. Pede o mesmo
a um homem. A um dos presentes, pede que, com um giz, trace no chão os
contornos dos corpos do homem e da mulher. Após isso ter sido feito,
solicita que o casal se levante e volte a participar do grupo. ·
Utilizando-se
de papel recortado ou mesmo de giz, o coordenador propõe aos
integrantes do grupo que desenhem com giz, nas figuras do chão, as
estruturas e órgãos do corpo feminino e masculino que são importantes
para a reprodução . ·
Feito
isto, pequenos pedaços de papel, grãos de arroz ou pedrinhas serão
colocados no desenho e irão simbolizar os espermatozóides e a fecundação
do ovo. ·
Aprender
se divertindo também é legal! Dr.
Alberto Olavo Advíncula Reis (USP) **Dra. Maria Aparecida Andrés Ribeiro (UFMG) |